Um personagem que eu adorava ver na
“Grande família” era o Mendonça, vivido pelo grande ator Tonico Pereira. Para
quem é funcionário público desde o século passado, ele lembra muito alguns
antigos colegas de repartição. Mas o que eu achava engraçado mesmo era a
relação dele com o Lineu, interpretado por Marco Nanini. Principalmente
naquelas cenas em que ele diz: “Eu amo esse homem !”, e ficava querendo beijar e
abraçar o Lineu a qualquer custo enquanto outro todo reservado, se afastava
constrangido. O que torna a cena engraçada é que não há ali qualquer vestígio
de uma verdadeira relação homossexual. Ele de fato ama o colega, quer abraçá-lo
e beijá-lo mas não pretende ir para a cama com ele.
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É amor de homem. Aquelas amizades ou afeições entre dois cavalheiros que têm todos os componentes do amor: carinho, solidariedade, vontade de estar perto, de não se separar e até mesmo ciúmes, por vezes violentos, de outras amizades. E tem uns sujeitos que despertam essas afeições mais que outros. O violonista Toquinho, por exemplo, parceiro de Vinicius de Moraes, conta que este dizia que a relação dos dois era um "casamento sem sexo". Mas com direito a ciúme, pelo menos por parte do Vinicius que não admitia que Toquinho fizesse parcerias com outros . Para isso,escrevia tantas letras que deixava o parceiro muito ocupado, sem tempo para "traições".
É amor de homem. Aquelas amizades ou afeições entre dois cavalheiros que têm todos os componentes do amor: carinho, solidariedade, vontade de estar perto, de não se separar e até mesmo ciúmes, por vezes violentos, de outras amizades. E tem uns sujeitos que despertam essas afeições mais que outros. O violonista Toquinho, por exemplo, parceiro de Vinicius de Moraes, conta que este dizia que a relação dos dois era um "casamento sem sexo". Mas com direito a ciúme, pelo menos por parte do Vinicius que não admitia que Toquinho fizesse parcerias com outros . Para isso,escrevia tantas letras que deixava o parceiro muito ocupado, sem tempo para "traições".
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Amigo meu diz que se fizesse com as
mulheres a metade do sucesso que faz com os homens... É que, apesar da sua cara
mal-humorada, os amigos gostam dele como o Mendonça gosta do Lineu. Aliás, um
velho fotógrafo amigo dele, tipo físico igual o do Mendonça, elogiando a boa
estampa do meu amigo lhe disse: “Rapaz tu é tão bonito. Se eu fosse mulher ia
rebolar muito pra ti”. E isto na mesa de bar, na frente de outros amigos
barrigudos e carecas, entre uma cerveja e outra.
Outro amigo dele da adolescência, gosta tanto da sua companhia que vive insistindo para que ele vá visitá-lo. Quando o outro alega o problema da distância, ele não se faz de rogado, promete buscá-lo de carro e levar de volta. E insiste para que ele fique para dormir, como amiguinhos de 8 anos que estudam na mesma escola... E não adianta argumentar com o incômodo para a mulher e os filhos que esse alojamento provisório representa. Ele quer é relembrar os velhos tempos, ou apenas as sensações dos velhos tempos. O prazer de estar em sua companhia, jogando conversa fora, ou apenas escutando discos antigos, ou até mesmo calados, olhando para o nada, partilhando o silêncio, como só os velhos amigos podem se dar ao direito.
Outro amigo dele da adolescência, gosta tanto da sua companhia que vive insistindo para que ele vá visitá-lo. Quando o outro alega o problema da distância, ele não se faz de rogado, promete buscá-lo de carro e levar de volta. E insiste para que ele fique para dormir, como amiguinhos de 8 anos que estudam na mesma escola... E não adianta argumentar com o incômodo para a mulher e os filhos que esse alojamento provisório representa. Ele quer é relembrar os velhos tempos, ou apenas as sensações dos velhos tempos. O prazer de estar em sua companhia, jogando conversa fora, ou apenas escutando discos antigos, ou até mesmo calados, olhando para o nada, partilhando o silêncio, como só os velhos amigos podem se dar ao direito.
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E essas amizades, essas comunhões de
alma são tão profundas que às vezes são superiores às paixões pelo sexo oposto.
Outro conhecido meu é amigo e admirador de um grande intelectual, cuja
companhia ele prefere à de qualquer pessoa no mundo. Onde quer que o outro o
chame, ele vai. Quando casou, com mulher muito possessiva foi pressionando a
não ser tão disponível. Vieram algumas brigas, ele se queixou da mulher aos
colegas de trabalho que recomendaram que ele cedesse, afinal, era uma moça
ótima e ele, sujeito reservado, tinha demorado a encontrar alguém. “De jeito algum", respondeu ele
indignado, "se eu tiver que escolher
entre ela e o Fulano, não tenho dúvidas, fico com Fulano.”
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Mario Bag tem um amigo assim. Os
dois cresceram na mesma rua e, da infância até o fim da adolescência, foram
quase como irmãos: jogaram bola de gude, jogaram futebol no meio da rua e até
tocaram na mesma banda de rock. A amizade chegou a ponto do amigo chamar o Bag para
ser padrinho da filha. A festa do batizado se prolongou, em meio a muita bebida
e gente com quem o Bag não tinha muita intimidade. Quando viu que todos os
convidados já tinham indo embora, achou que podia ir também. O amigo que já
tinha bebido todas, foi até a porta do apartamento, trancou-a à chave, tirou a
chave da fechadura e declarou: "Daqui você não sai! Todo mundo pode ir
embora, menos você!"
Não adiantou reclamar, xingar, o Bag só conseguiu escapar quando o outro tombou desmaiado ao lado do vaso sanitário e a mulher conseguiu tirar a chave do bolso do marido pinguço libertá-lo do cárcere privado...
Não adiantou reclamar, xingar, o Bag só conseguiu escapar quando o outro tombou desmaiado ao lado do vaso sanitário e a mulher conseguiu tirar a chave do bolso do marido pinguço
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E as brigas de "casais de
amigos" podem ter lances até mais dramáticos. Um conhecido nosso costuma
ser arrastado para o bar por um desses "apaixonados". É sempre a
mesma história. Ele liga, insiste no convite para tomar uma cerveja, se
encontram, bebem, bebem, bebem e brigam. Em geral o amigo apaixonado acha que o
outro está bancando o superior, que ficou importante, da queixa passa às
ofensas. Uma vez chegou a rasgar a camisa do outro de alto abaixo. Quando o que
teve a camisa rasgada ameaçou ir embora, o outro pediu desculpas, abraçou-o
comovido, dizendo o quanto gostava do amigo, etc. fizeram as pazes e voltaram a
beber... Mesmo com sua camisa em frangalhos, o sujeito ficou ali, firme,
encostado no balcão do botequim durante horas a fio... Até que a mulher (de um
ou de outro) apareceu para resgatá-los.
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Otto Lara Resende era outro que
atraía esse tipo de amor. Sua companhia era tão disputada pelos amigos que, uma
vez, um se queixou de que ele tinha marcado um encontoro no bar e em vez de
esperá-lo estava junto com o Rubem Braga, este declarou: "Rapaz, o Otto é que nem passarinho. É de quem pegar
primeiro."
Mas certamente, não houve ninguém
mais apaixonado pelo Otto do que Nelson Rodrigues. Uma das partes mais divertidas
da biografia do Nelson escrita pelo Ruy Castro é a que conta sobre a verdadeira
obsessão que ele tinha pelo amigo. Queria o tempo todo estar com o Otto e ia
mesmo na casa dele sem avisar, a ponto de, para evitá-lo, Otto mandar dizer
pela empregada que não estava em casa.
Não adiantou, a cada meia hora o Nelson reaparecia na porta perguntando se o outro estava em casa e
a empregada dizia: "Desculpe, seu
Nelson, o seu Otto não está em casa...". Depois da décima vez, Otto
sucumbiu, ele mesmo abriu a porta e disse: "Você
tem razão, Nelson, eu estou em casa".