Alencar estreou na imprensa no “Correio Mercantil”, em 1854, assinando a coluna “Ao correr da pena”. Tinha 25 anos e seu sucesso foi imediato mas logo abandonaria o jornal porque um de seus artigos fora censurado. Iria para o “Diário do Rio de Janeiro”, onde publicou, em 1856, sob a forma folhetins, seu romance de estréia: “Cinco minutos”.
A primeira polêmica literaria a movimentar o mundo cultural brasileiro, teve início em 1856 e marcou o começo da antipatia mutua que caracterizaria as relacoes entre D. Pedro II e José de Alencar. Eram ambos jovens - 34 e 30 anos respectivamente - e queriam associar a imagem do Brasil à representação romântica dos nossos índios. No entanto, o eleito pelo monarca para produzir a obra que sintetizaria esse projeto fora Gonçalves Magalhães, cujo poema, A Confederação dos Tamoios, foi recebido como fundador daquele movimento. José de Alencar, então redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro, publicaria ali crítica questionando a qualidade literária da obra.
Foi assim que teve início a polêmica, em que, Manuel de Araújo Porto Alegre e D. Pedro II, ambos assinando seus artigos como “o amigo do poeta”, responderiam também pela imprensa as críticas de Alencar. Nas oito cartas que publicou, Alencar dizia, entre outras coisas, que: “o senhor Magalhães não só não conseguiu pintar a nossa terra, como não soube aproveitar todas as belezas que lhe ofereciam os costumes e tradições indígenas...". Em resposta, Porto Alegre diria que a critica estética era inoportuna porque o poema não era para ser apenas “um deleite métrico, um romance em verso, mas sim um fato moral”. O artigo escrito pelo Imperador chamava a atenção para o ineditismo da temática do poema o qual deveria ser lido “com a reverência dos que murmuram o Padre Nosso da nacionalidade”.
Politico atuante do Partido Conservador, Alencar publicaria no “Diário do Rio de Janeiro”, as “Cartas políticas de Erasmo”, relatando os problemas do país e criticando a participação na Guerra do Paraguai. Na série seguinte, “Novas Cartas políticas de Erasmo”, publicadas em 1867, adotaria tom mais agressivo acusando D. Pedro II de omissão diante de um sistema político viciado, onde, devido ao Poder Moderador, os governos eram sempre corruptos e decadentes. A atuação política do autor de “O Guarani”, o levaria ao Ministério da Justiça, em 1868, onde ficaria por pouco tempo. Candidato ao senado, Alencar foi o mais votado, mas pela Constituição, seu nome teria que ser aprovado pelo imperador que o vetou. Sentindo-se injustiçado, só restaria ao escritor resmungar contra as veleidades literárias do monarca: “Não seria muito mais feliz esse povo se seu defensor perpétuo (...) estivesse agora cogitando na difícil solução da situação financeira e perscrutando os males que nos afligem?”
No final de 1875, José de Alencar se envolveria em outra polêmica, desta vez com o então jovem Joaquim Nabuco. O criador da Iracema demonstrara seu descontentamento com a frieza com que fora recebida pela crítica e pelo público sua peça “O Jesuíta”. Crítica publicada no jornal “O Globo”, que nada tem a ver com o atual, atribuiria o insucesso da peça ao estilo ultrapassado de seu autor. Alencar respondeu pelo mesmo jornal com quatro artigos intitulados “O teatro brasileiro”. A esses respondeu Joaquim Nabuco com uma série de sete artigos sob a rubrica “Aos Domingos” em que se propõe a analisar a obra do escritor. A isto, Alencar responde com outra série de cinco artigos a que deu o nome de “Às quintas”.
Nabuco vinha de mais uma temporada na Europa e daria duro combate ao que considerava visão deformada da realidade brasileira presente na obra de Alencar. Este chamaria a atitude de Nabuco de “francesismo” e ressaltaria, caráter nacionalista e inovador de obra. Era um choque de gerações e de escolas literárias em que, no contexto da imprensa brasileira duelavam Romantismo e Realismo.
Em seu último artigo, Nabuco atacou a trajetória política de Alencar, lembrando inclusive a defesa que o escritor fizera da escravidão. Alencar dera duro combate à Lei do Ventre Livre, projeto que fora elaborado pelo político do Partido Liberal, o Senador Nabuco de Araújo, pai de seu antagonista. Alencar considerou a lei um erro, pois libertando os filhos das escravas, não eliminava a escravidão e produzia “injustiça clamorosa” porque ensinava os filhos a desprezar os pais. Alencar encerraria a polêmica com curta resposta, não publicada nos jornais, alegando que sobre esses assuntos estava habituado a discutir com o pai de Joaquim Nabuco. “Seria sumamente ridículo que depois de ter-me batido com os mais ilustres chefes liberais, eu viesse perder o meu tempo com um projeto de candidato, ou como se diz em gíria eleitoral, com um filhote.”
Coerente com seu espírito combativo, o último jornal que Alencar publicou foi “O protesto”, interrompido no sexto número, com a morte do escritor, em dezembro de 1877.